Rasguei-me em gente
Pura queda desequilibrada
Sonhadora a vida
Somente ela:e mais nada
Do meu ventre dilacerado
Queimaram-se as pontes
Esgotaram-se as fontes
Das ideias desmedidas
Do sangue derramado
Que nem uma gota vi
Suturei-lhe o ventre
Mais imaculado do que senti
Anjo puro e terno
Assombrado pelo silêncio
Descontente com o sonho
Que em mim estava escondido
As lágrimas são cristais
Belas,puros ideais
Caem em ritmo lento
E ferem-me o rosto:punhais
Começo a escurecer
A beleza que sempre iluminei
Apago o sorriso
Esse que nunca vislumbrei
Os punhais me ferem
Mais em mim anjo
Do que nela gente
Sinto-me longe, impotente!
Sóbrio na missão
Que esculpiram outrora
Detenho-me, Arrelio-me
Mordaço a voz na hora
Deixo-me cair vagorosamente
Sinto a beleza no sangue
Respiro profundamente
E deixo de existir: no teu sempre
Acelerei o passo confuso
Queria amparar-lhe a queda
Ainda lhe toquei o ventre
Perdi tudo o que teria: ela.